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Vox Pop #1

Aterrámos na Praça da República em dia de intensa praxe académica para ouvir quem passava sobre a problemática existencial do “ai que nesta terra não há nada para fazer”. Entre os cânticos animados e as belas figuras protagonizadas um pouco por toda a parte pelos novos candidatos a doutores, nem sempre foi fácil ouvir o que nos diziam os transeuntes. Mas como não podia deixar de ser, conseguimos. Aqui ficam as respostas à dúvida de todos nós/vós/eles:
Acha que em Coimbra não há nada para fazer?

BPI_7320Luciana Fernandes, 19 anos
“Muito pelo contrário. Em Coimbra há muitos bares, tem uma praça onde toda a gente se pode encontrar e além disso, ainda podemos escolher entre a Alta, a Baixa… E a Praça! Acho que diferentes pessoas se podem enquadrar na noite de Coimbra, porque há bares com diferentes músicas, com diferentes estilos. Durante o dia podemos aderir a eventos do Teatro Gil Vicente. E também temos o Parque Verde para ir correr”.

BPI_7329Carla Dias, 20 anos
“Não concordo nada com isso. Em Coimbra há muita coisa que podemos fazer, quer de dia quer de noite. Nomeadamente, podemos participar em várias actividades do núcleo de estudantes que cada curso e cada faculdade têm e mesmo actividades da Associação Académica. Temos sempre convívios, febradas, podemos vir ter com os amigos à Praça da República, onde há diversos bares. Se quisermos andar ao ar livre ou fazer desporto, temos o Choupal e o Parque Verde. Portanto, acho que em Coimbra há muita coisa para fazer. Mesmo.”

BPI_7334Gernut Bonack, 58 anos (cidadão alemão, a viver em Coimbra há dez anos)
“Acho que para pessoas da minha idade, Coimbra só oferece coisas históricas e não propriamente em termos de lifestyle, coffeshops ou coisas culturais como teatro ou concertos. Isso faz muita falta. Adoro a cidade porque oferece muitos edifícios históricos, belos parques, mas quem é que gosta de andar todos os dias ou só de olhar para as árvores? Para ser honesto acho que devia, especialmente no Verão, oferecer mais eventos culturais: à noite, concertos ao ar livre, em lugares onde as pessoas conheçam outras pessoas e não apenas nos cafés que existem em cada esquina, onde cada um está sozinho”.

BPI_7342Alda Teixeira, 56 anos
“Não há nada para fazer em Coimbra?! Há muito para fazer. Principalmente nesta altura, aturar os caloiros. Falta cultura em Coimbra, não há. Gostava que houvesse mais teatro em Coimbra. Gostava que o Teatro Académico Gil Vicente voltasse novamente aos tempos antigos, em que vim aqui muitas vezes”.

BPI_7345Luís Marinho, 59 anos
“Olhe para isto! A Praça da República cheia de gente! Não, não acho. Há sempre coisas para fazer em Coimbra. Em termos culturais acho que é uma cidade com oferta. As pessoas é que às vezes não sabem, não tomam nota, esquecem, entram na rotina. Mas há muitas coisas interessantes. Há muitas associações, há aqui uma dinâmica cultural muito interessante nos últimos oito anos, que já é marcante. Temos um património fabuloso. A Universidade é ela própria um fenómeno cultural, cheia de actividades. É uma cidade de diálogo, é uma cidade de debate, de pensamento crítico. Coimbra não é uma cidade pobre desse ponto de vista. Nunca foi e esperamos que não venha a ser. Que continue como está”.

BPI_7355Maria Toscano, 50 anos
“Acho que em Coimbra há muito que fazer. Para além das distracções pseudoculturais da praxe e desses eventos, que são mais alienantes do que propriamente acções culturais, embora façam parte da cultura e portanto, se existem é porque estão a responder a alguma expectativa. Os jovens que chegam a Coimbra poderiam de facto usufruir mais de muitas outras coisas, porque Coimbra oferece teatro de qualidade, oferece exposições e um conjunto de outras dinâmicas ligadas às artes consideradas menores, que não são, como as artes plásticas, a fotografia, acções em torno do bailado, do cinema. Portanto, há muito que fazer”.

Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 19 de Setembro de 2013)