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Capsula – Solar Secrets

Capsula_Digipack_AAFF_02São argentinos, mais concretamente de Buenos Aires, mas chegam até nós através da cápsula cantada por David Bowie em “Space Oddity” e aterraram em Bilbao em 2001. Antes desta decisão de viverem em Espanha – e influenciados tanto pelos 60´s da América do Sul, do rock psicadélico e do garage rock – os Capsula gravaram três discos ainda em Buenos Aires: “Sublime” (1999), “Yudoka” (2000) e uma gravação de raridades experimentais chamado “Ultimo Fragmento” (2000).

Depois de uns quantos singles e discos editados em Espanha e algumas digressões pela Europa, Estados Unidos da América e América do Sul, em Outubro de 2008 assinam com a editora barcelonesa BCore Disc, captando as atenções mundiais com “Rising Mountains”, editado em Abril de 2009. Passaram por Coimbra nas comemorações dos 23 anos da Rádio Universidade de Coimbra e sem perder tempo, em julho de 2009, os Capsula vão até Nova Iorque gravar com a lenda do rock Ivan Julian ( Richard Hell & The Voidoids, The Clash ) – com quem os conimbricenses Bunnyranch também trabalharam no disco “Teach Us Lord…”-   resultando assim desta união o álbum “Ivan Julian & Capsula – The Naked Flame” e lançado em Espanha pela editora Bloody Hotsak. Em 2011 editam “In The Land of Silver Souls” produzido por John Agnello .

Em 2012, os Capsula registam um dos seus álbuns favoritos de todos os tempos: “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars” de David Bowie. Do seu mestre, a banda transforma um clássico numa nova criação à qual intitula: “Dreaming of The Rise and Fall of Ziggy Stardust”.

Os Capsula são o vocalista e guitarrista Martin Guevara e a baixista Coni Duchess (casal fundador da banda) e o baterista Nacho. Todos obcecados com os Velvet Underground e David Bowie, uma união de alta velocidade dos Cramps e The Who, revestidos de glamour corroído. É sob este signo que 2013 vê nascer “Solar Secrets”, disco de rock, gravado no mítico Saint Claire Recording Studio pelo não menos mítico produtor Tony Visconti, acabadinho de sair da produção do primeiro álbum de estúdio de David Bowie em uma década “The Next Day”.

Solar Secrets” não tem grandes segredos. Pelo menos cósmicos. É um disco de rock, com a compressão dinâmica dos The Who, The Cramps e Sonic Youth num caldeirão psicadélico (ecos longos, tremolos aguados e torres maciças de guitarras) que faz com que “Riverside of Love” e “Trails of Senselessness” soem como um avião no meio das 10 canções que compõem o álbum.

Destaque para “Blind”, música de apresentação de “Solar Secrets” e ainda “Constellation Freedom” e “Seven Crimes”, viagens infinitas em canções pop, ou a página 62 do livro dos produtores de como fazer uma música pop de uma banda que poderia ser medíocre e desinteressante. “Solar Secrets” é um disco de ruído, solos de guitarra em turbilhão e a catarse típica das bandas que nos querem elevar. Eu não vi Deus, mas vi um senhor com óculos, de seu nome Tony Visconti.

https://www.youtube.com/watch?v=CyvWddUtGX4

Texto de Bruno Simões

(Publicado a 12 de Setembro de 2013)