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A tinta do índio

BPI_5775Quando entramos na Apache, o som que ouvimos não engana. A máquina que pinta a pele, com aquele “ruído” tão característico, que até pode arrepiar os mais sensíveis. Júnior Rocha é o proprietário deste espaço, onde se fazem tatuagens, piercings, alargadores e, como veremos, não só.

De nacionalidade brasileira, Júnior já está na cidade de Coimbra há cerca de sete anos. Aliás, aproveitamos já para dizer, que o nome Apache vem da sua origem com ascendência indígena. Ora, não é de admirar a sua proximidade com o universo índio. “Sempre gostei do estilo de vida e da ideologia indígenas. Os índios têm uma qualidade de vida superior à nossa, são muito desenvolvidos”, explica-nos pausadamente, quase só faltando a devida caracterização.

O entusiasmo pela arte das tatuagens, assim lhe chama e não nos parece nada mal, já vem de longe, no tempo e no espaço, do outro lado do oceano. “Sempre tive um grande interesse pelos desenhos, pela arte, pela pintura, desde pequenino”. A certa altura, ainda no Brasil, “tive oportunidade de trabalhar com uma máquina de fazer tatuagens através de um amigo, que estava a fazer um trabalho nele próprio e lhe custava alcançar uma parte da tatuagem por causa da posição. Teve confiança em mim, passou-me a máquina e assim nasceu o meu bichinho das tattoos”.

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O esboço estava traçado. Adquiriu a sua primeira máquina, caseira, completamente artesanal e começou a tatuar. O desenho aprimorou-se e a arte desenvolveu-se. Veio para Portugal, passou por Lisboa e fixou-se em Coimbra. A loja não foi algo de imediato: “mesmo quando não tinha a loja, sempre tive um estúdio profissional em casa. Entretanto, comecei a ter um grande número de clientes e decidi abrir a loja, com muito suor e sacrifício”. Primeiro a Apache localizava-se na Rua Figueira da Foz, junto ao Palácio da Justiça, onde esteve três anos, mas decidiu mudar para o centro comercial D. Dinis, há seis meses, porque “a localização é melhor, com melhor estacionamento e mais acessível para todos”. Júnior garante que neste espaço “existe equipamento de primeira qualidade e níveis de higiene sempre no máximo, pois só assim se pode transmitir confiança aos clientes e tornar todo o trabalho mais profissional”.

Quando tentamos perceber o que custa mais na profissão de tatuador, Júnior não facilita a resposta. “O que custa mais talvez seja quando trabalhamos uma jornada de horas e começa a doer as costas, de resto mais nada”. Mas e no acto de desenhar em si, o que é mais complicado? “O retrato, talvez, pois é o nível mais elevado das tatuagens”. Mas acrescenta que “para cada tatuador é diferente e cada um segue uma linha e tem o seu estilo”. Os preferidos de Júnior “são o estilo oriental, o maori e o biomecânico, apesar de fazer de tudo”.

Se acham que a tatuagem é coisa de juventude, estão enganados. “Todo o tipo de gente e de todas as idades vem à loja. Tenho uma cliente de 70 anos que vai na quarta tatuagem, como tenho jovens de dezasseis que vêm com a mãe”, esclareceu. Júnior considera que Portugal ainda está menos evoluído que outros países quanto a este assunto, mas considera também que tem havido uma evolução, nomeadamente devido ao facto “de aparecerem cada vez mais figuras públicas tatuadas, como os jogadores de futebol, e assim tiram a imagem marginalizada que ainda existe”.

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Para quem quer fazer uma tatuagem, fica a saber desde já que os cuidados após a “impressão” são vários e da responsabilidade do próprio. Na Apache ainda não houve nenhum relato de problemas, “exceptuando algumas, poucas, alergias na pele”. Em relação aos piercings, os cuidados também deverão ser alguns e Júnior admite igualmente que nesse campo houve “zero reclamações”. E a razão prende-se com o material que é usado. “Pode ser mais caro, mas a qualidade é outra, sem compostos danosos para o organismo”.

Na Apache não se fazem só tatuagens, nem piercings. “Trabalhamos também noutras áreas como sejam a micropigmentação, maquilhagem definitiva e a pigmentação mamária”. É aliás um dos projectos, já em desenvolvimento, criar parcerias com clínicas e hospitais de oncologia de modo a poder contribuir para o bem-estar das pessoas. Dentro de pouco tempo, estará também disponível um equipamento laser para apagar tatuagens antigas ou mal feitas ou alvo de arrependimento. Parece-nos reconfortante saber que se poderão agora suprimir erros do passado, em que se tatuam coisas que já não nos dizem respeito.

Júnior não é o único tatuador da Apache. Miguel, seu ajudante, começa a entrar na arte e no ritmo. Não é fácil, há que ser metódico e paciente. Mas como diz Júnior: “quando estou a tatuar, estou no meu mundo, na minha válvula de escape e nada me incomoda”.

Apache Coimbra
Centro Comercial D. Dinis, 1º andar
Horário: segunda a sexta das 11h às 19h
Telefone: 912763502

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 12 de Setembro de 2013)

4 comments

  • UAu… Conheço o junior ha uns anos e foi ele que me fez uma das minhas tatuagens.. Muito bom saber que o seu trabalho é reconhecido e tem evoluido ao longo dos tempos… Muitos Parabens =)

  • a veia artistica e mesmo de familiajr desde muito cedo desenha muito bem.
    sua mente criativa vem acomprovar que para elee muito facil captar qualquer ideia que o cliente possa ter a respeito de qualquer tipo de tatuagem.
    parabens, continue assim

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