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A datilógrafa

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A primeira longa-metragem do realizador francês Régis Roinsard foi bem-sucedida. “A Datilógrafa”, “Populaire” no original, é uma comédia romântica, mas daquelas que têm alma, que nos confortam mesmo sem darmos por isso e nos empolgam timidamente.

Este filme passa-se no fim dos anos 1950 e a sua exemplar caracterização e (re)produção da época transportam-nos, de forma muito rápida, até lá. Excelentes detalhes, cenários, figurinos e banda sonora, são o essencial para à partida percebermos que se trata de um trabalho de qualidade.

A história fala-nos de Rose Pamphyle (interpretada por Déborah François), uma jovem de 21 anos, que quer deixar de morar com o pai e seguir o seu destino. Como tem uma especial adoração pelo objecto máquina de escrever (cedo constatamos tal facto através de uma única cena) e consequentemente, ou não, um talento incrível para trabalhar nela, Rose decide concorrer a um cargo de secretária para o escritório de seguros de Louis Échard (interpretado por Romain Duris). Podemos fazer aqui um parêntesis e lembrar que na altura, ser secretária era o sonho de qualquer rapariga. A promessa de uma carreira garantida e de prestígio reconhecido.

Voltando à narrativa, Louis admite Rose e percebe que os dotes dela como secretária são parcos, mas fica ‘obcecado’ pela rapidez com que a jovem consegue datilografar, unicamente com os dedos indicadores. O delicado patrão propõe-lhe que continue a trabalhar com ele em troca da bela jovem treinar a sua escrita e participar no campeonato regional de datilógrafa mais rápida e consequentemente nas competições nacional e mundial.

O enredo que se segue será simples de adivinhar, não fosse esta uma comédia romântica, mas a forma como nos cativa é que acaba por admirar. De facto, toda a realização, iluminação, zooms e percursos da câmara, reproduzem os filmes americanos dessa década. A leveza e o charme são os adjectivos que se impõem.

Os actores Romains Duris (De Tanto Bater o Meu Coração Parou, 2005; Paris, 2008; O Quebra Corações, 2010) e Déborah François (A Criança, 2005; O Primeiro dia do Resto da Tua Vida, 2008; O Monge, 2011) exibem uma química certeira e eficiente. É impossível olhar para os personagens e não pensar em actores como Burt Lancaster ou Audrey Hepburn. Entram ainda em cena Bérenice Bejo, conhecida pelo recente O Artista, e Shann Benson, como um casal amigo (e por vezes voz da consciência) de Louis.

Preconceituosamente este seria um filme a evitar. Mas no entanto, revela-se um filme poderoso e ligeiro ao mesmo tempo. Não nos faz pensar muito, não tem um final surpreendente, mas aquece o coração.

Título: Populaire
Realizador: Régis Roinsard
Actores: Romain Duris, Déborah François, Bérénice Bejo, Shaun Benson
Ano: 2012

Texto de Carina Correia

(Publicado a 12 de Setembro de 2013)