• Photobucket

Home / Música / Neko Case

Neko Case

nekocaseNEKO CASE: “The Worse Things Get, the Harder I Fight, the Harder I Fight, the More I Love You” 

Muito do que foi escrito sobre este sexto álbum de estúdio de Neko Case, salientava que “The Worse Things Get, the Harder I Fight, the Harder I Fight, the More I Love You” seria uma resposta a uma dor extrema da cantora transformada em depressão.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Neko Case afirmava: “passei por um momento muito difícil e estive bastante deprimida. Os últimos anos foram de completo luto. Perdi muitas pessoas na minha família e outras coisas. Não aconteceu tudo de uma vez, e realmente nunca consegui largar o luto e a tristeza. E tentei seguir aquilo que é normal pensar, como ‘eles estão mortos, tenho que continuar’”. Na verdade, e enquanto seres humanos, temos de desacelerar, encaixar e olhar a morte de frente.

Mas, e como seria de esperar, “The Worse Things Get, the Harder I Fight, the Harder I Fight, the More I Love You”, não é um disco sobre luto ou morte, pelo menos não no sentido tradicional. Há muito fogo, determinação, luta, coragem e humor para aquilo que usualmente se poderia designar como um funeral.

Por toda a parte, especialmente na primeira metade do álbum, Neko Case ameaça, intimida e desafia o ouvinte. De acordo com esta abordagem mais conflituosa existem ruídos dispersos, guitarras furiosas e muitos sons estridentes. Por outro lado, todo o disco é cruzado pela calmaria natural e habitual de Neko Case. E assim vamos, até ao fim do disco, embalados pela fragilidade de Neko Case a acordados pelas guitarras inflamadas. Músicas curtas (por vezes curtas demais) e certeiras, sem grandes rodeios.

“Night Still Comes” e “Calling Cards” resultam na perfeição neste cruzamento meio esquizofrénico entre o ruído (por vezes devido às opções de mistura e à própria masterização) e as paisagens habituais de Neko Case. Funcionam muito bem, dando maior profundidade às músicas mais rápidas do disco. Mas existem momentos menos bons, no meio deste turbilhão de emoções. “Nearly Midnight, Honolulu” tenta ser verdadeiramente comovente, mas, e ao invés, chega perigosamente perto do meramente sentimental.

Tudo somado, o resultado é um disco de conflito, às vezes confuso e às vezes passível de ser confundido. Se a dor era de facto o catalisador do álbum, então, “The Worse Things Get, the Harder I Fight, the Harder I Fight, the More I Love You” é uma expressão de sofrimento.

No limite, a inconsistência subsequente gera um disco de grandeza sentimental e faz com que “The Worse Things Get, the Harder I Fight, the Harder I Fight, the More I Love You” seja honesto, e quando se trata de arte, então eu prefiro a honestidade à consistência. Seja qual for o dia.

Texto de Bruno Simões

(Publicado a 5 de Setembro de 2013)