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Cândido, o construtor

BPI_4269 Cândido Jacob tinha 6 ou 7 anos quando o gosto pela música despontou. Aprendeu a tocar piano e bateria, mas o que nunca largou foi a guitarra. Um dia, teve um problema numa, levou-a a consertar e não correu bem. Então, pensou: Por que não aprender a fazê-lo eu? Hoje tem uma oficina onde repara e constrói, à mão, guitarras personalizadas.

Quando entramos na oficina, no lugar de Banhos Secos, a poucos quilómetros de Coimbra, não vemos muitas guitarras. A razão é simples: só há uns meses é que Cândido decidiu despedir-se da galeria de arte contemporânea onde trabalhava para se dedicar a esta actividade.

Já concluiu quatro guitarras acústicas, todas diferentes. A primeira (na foto) ficou para si. Mais adiante, quer voltar-se para o vintage. Prepara-se para investir na chamada cigar box guitar, uma guitarra pequena, feita a partir de uma caixa de charutos.

Materiais naturais e verniz “à boneca”

O trabalho de Cândido Jacob é praticamente todo manual. As excepções são a máquina para fazer furos e a serra. Mesmo os moldes e os desenhos são da sua autoria. Construir uma guitarra de raiz, à mão, é um processo lento e minucioso. Só faz um instrumento de cada vez e demora, em média, um mês e meio a terminá-lo.

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Faz questão de utilizar apenas materiais naturais, como cola feita a partir de entranhas de esturjão. Até enverniza “à boneca”, ou seja, à moda antiga, com um pedaço de lã envolvido em linho. O preço de cada guitarra ronda os 1500 euros, mas varia consoante os materiais e o tempo de mão-de-obra empregados.

“Trabalho de investigação contínuo”

Cândido começou por pesquisar na Internet e ler livros, mas aprendeu o ofício, essencialmente, com duas pessoas: Fernando Meireles, em Coimbra e Ludovic Barrier, em Paris. Os conhecimentos estão em constante actualização, até porque, como diz, “este é um trabalho de investigação contínuo”.

Em Paris, construiu uma pequena guitarra de viagem, a partir de sobras de madeira, esculpida como um violino. Não se separa dela.

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Por agora, a produção musical está posta de parte. Tem “algumas coisas gravadas”, mas quer empenhar-se na construção e reparação de guitarras, inclusive eléctricas, algo que lhe dá grande prazer. Para o contactar, basta consultar a página que mantém no facebook.

“Nulo a trabalhos manuais” na escola

Cândido Jacob, de 32 anos, licenciou-se em História de Arte, em Coimbra, fez mestrado em Gestão e Conservação de Bens Culturais em Salamanca, trabalhou na área de produção e montagem de exposições em Espanha e França e estudou Arte e Crítica Contemporâneas em Santiago de Compostela. Ainda se dedica à produção e montagem de exposições em part-time.

“Na escola, era nulo a trabalhos manuais. Mas acho que, se no 5º ou no 6º ano me tivessem dito: “Vamos fazer uma guitarra!”, as coisas teriam sido diferentes”, remata, com um sorriso.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 5 de Setembro de 2013)