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Um Homem de Família

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“Um Homem de Família” é provavelmente, arriscamos dizer, um dos melhores filmes a passar numa sala de cinema este ano.

“The Iceman”, o seu título original, é baseado na história verdadeira de Richard Kuklinsky, um assassino a cargo da máfia, que matou mais de cem pessoas (todos homens) entre 1964 e 1986, em Nova Jersey. Era conhecido como ‘o homem do gelo’, pois congelava os corpos das vítimas com o objectivo de encobrir da polícia a data do crime.

Realizado pelo israelita Ariel Vromen, ainda pouco conhecido, este é um argumento adaptado pelo próprio, em co-autoria com Morgan Land, da biografia ‘The iceman: the true story of a cold-blooded killer’, de Anthony Bruno e do documentário ‘The iceman tapes: conversations with a killer’, de Jim Thebaut.

Sendo um homem de poucas palavras, Richard Kuklinsky (interpretado por Michael Shannon) ama a sua família, mais precisamente a sua esposa Deborah (interpretada por Winona Ryder) e as duas filhas. Estas duas facetas, uma de impiedoso assassino e outra de marido e pai exemplar, existem em simultâneo, fazendo de Kuklinsky um homem violento e doce (q.b.) ao mesmo tempo. Apesar de ocultar a sua profissão da família, era a esta que dedicava todo o seu ser, mesmo quando tal se tornava uma tarefa árdua. Percebemos subtilmente ao longo do filme que a sua infância não terá sido das mais felizes, explicando assim os seus distúrbios de personalidade e fazendo-nos reflectir sobre os motivos que o levavam a agir assim. Executava o seu trabalho com método e competência até que um dia algo corre mal e terão de ser tomadas medidas (ainda mais) drásticas.

O elenco é dos bons. Winona Ryder como esposa dedicada, Ray Liotta como mafioso, Chris Evans como ajudante de assassino, entre outros. No entanto, é Michael Shannon (Revolutionary Road, 2008; Meu Filho Olha o que Fizeste, 2009; Procurem Abrigo, 2011) que se destaca, interpretando magistralmente o assassino retratado (todas as suas interpretações normalmente são grandiosas, este é um actor com A grande). Nos gestos, nas expressões faciais (ou falta delas), na forma como caminha e como fala, é Shannon o mestre-de-cerimónias.

Com uma fotografia e um figurino a rigor, o filme atravessa os anos 60 e 70 sem darmos por isso. Não fosse o bigode, o penteado, o casaco de cabedal ou o modelo do fato que Kuklinsky usa, não notaríamos que do primeiro assassinato à sua captura e condenação a pena perpétua, passaram vinte e dois anos. Para ver “Um Homem de Família”, recomenda-se sangue frio e gosto por filmes sobre máfia, onde a violência é uma constante.

Richard Kuklinsky morreu em 2006 na prisão. E quando a certa altura lhe foi perguntado se estava arrependido do que fez, ele respondeu: “só me arrependo de ter feito sofrer as únicas pessoas que significavam algo para mim».

Título: The Iceman
Realizador: Ariel Vromen
Actores: Michael Shannon, Winona Ryder, Chris Evans, Ray Liotta
Ano: 2012

Texto de Carina Correia

(Publicado a 22 de Agosto de 2013)