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Rita Alcaire

largoRita Alcaire, antropóloga e documentarista, nem hesitou quando a convidámos para dar um salto ao Largo da Portagem. A identidade, a sexualidade e a música são os seus temas de eleição. Na sua tese de mestrado em Psiquiatria Cultural, analisou as representações da masturbação no cinema e na televisão mainstream. Com Rodrigo Lacerda, co-realizou documentários como “Filhos do Tédio”, “Breve história do rock de Coimbra” ou, mais recentemente, “Das 9 às 5”. Este último acerca dos trabalhadores do sexo em Portugal.

Gosto de Coimbra…
Principalmente porque é a cidade dos meus afectos e porque tem muitas Coimbras cá dentro…

Figura mais emblemática da cidade:
O caminhante que erra pela cidade incessantemente, o conversador de autocarro que se senta junto ao motorista e nunca pára de falar, o cantor da Praça 8 de Maio que usa as mais variadas coisas como microfone… indivíduos que compõem a paisagem visual e sonora desta cidade e são uma grande parte do que a faz ser o que é.

Em Coimbra, irrita-me…
Muita coisa! Como é normal numa relação tão próxima como a que eu tenho com a cidade. Irritam-me principalmente comportamentos e dinâmicas que condensaram a noção de que Coimbra se resume a três ou quatro zonas centrais e que criaram (no discurso, na teoria e na prática) cidadãos de primeira e de segunda categoria.

Sítio preferido:
Um dos meus locais preferidos em Coimbra é a zona dos Olivais onde nasci e vivi até aos 21 anos. Cada milímetro tem uma história relacionada com a minha vida.

Melhor esplanada:
Gosto de diferentes esplanadas por diferentes razões e em diferentes momentos. Final de tarde, qualquer uma no Largo da Portagem. Em dia de Mercado Quebra Costas, a do Café Almedina para desfrutar das diferentes valências do evento, para estar com amigos e para apreciar um prato de caracóis. A do Mosteiro de Santa Clara pelo enquadramento. As da Alameda Calouste Gulbenkian para observar as pessoas e as suas dinâmicas. A do bairro onde vivo, porque já sabem do que gosto.

Melhor sítio para comer:
Gosto muito do Jardim da Manga pela qualidade da comida, pelo enquadramento e pela simpatia no atendimento (recomendo o pato no forno com arroz de miúdos); do Zé Neto pela maravilhosa açorda com jaquinzinhos ou o polvo no forno, da Taberna, por comida de excepção (ai, as migas de bacalhau e aquele pão a estalar, acabadinho de sair do forno a lenha do próprio restaurante). Mas se tivesse de destacar só um, diria o Fangas Mercearia Bar onde vou muitas vezes petiscar, mas também comprar produtos portugueses (vinho, chocolates, biscoitos caseiros) para mim e para oferecer. A comida, inspirada em pratos e produtos tradicionais portugueses, é de grande qualidade, o atendimento, de uma simpatia e de um cuidado inexcedíveis. Gosto de acabar a semana de trabalho a folhear o jornal enquanto saboreio uma – ou duas, ou três – fatias de bolo de chocolate caseiro, acompanhadas de uma groselha com gasosa.

Melhor sítio para beber copos:
Uma pergunta excelente para quem não vai para os copos e não gosta de sair à noite… Destacaria o Aqui Base Tango pelo espaço e oferta. Há concertos, há workshops, há aulas, há animação, há o que comer, o que beber, um belo jardim com esplanada…

O que faz no dia do cortejo da Queima das Fitas?
Estou o mais longe possível do centro da cidade, se possível até fora de Coimbra.

Onde costuma estacionar quando vai à Baixa? Dá moeda ao arrumador?
Não conduzo. Vou à Baixa de transportes públicos ou, regra geral, a pé. As moedas vão para alguns músicos de grande talento que costumam actuar na Rua Ferreira Borges.

Onde é que não leva um amigo de visita à cidade?
Evito os grandes Centros Comerciais, com ou sem amigos de visita à cidade. Recorro a eles basicamente para ir ao cinema.

Se pudesse demolir alguma coisa em Coimbra, o que seria?
A primeira coisa que me vem à cabeça são as Torres do Mondego, os prédios junto ao Parque Verde da Cidade que nunca chegaram a ser terminados. Está ali um conjunto de edifícios fantasma que corta completamente a paisagem, não tem qualquer funcionalidade e que se está a degradar a olhos vistos.

Espaços desaproveitados:
São muitos os espaços desaproveitados em Coimbra e que eu imagino reconvertidos em locais de programação cultural ou habitação. O antigo Instituto Superior de Contabilidade, na rua Luis de Camões, a Guarda Nacional Republicana, na Avenida Dias da Silva, o Teatro Sousa Bastos em plena Alta; a antiga Fábrica da Cerveja e a Fábrica da Triunfo na zona norte de Coimbra… Mas tirando esse tipo de património edificado que poderia ser usado para diversas funções, o que me parece mais desaproveitado em Coimbra é a rua. Por exemplo, tirar mais partido das ruas da Baixa e da Alta para iniciativas culturais diversas, ter o comércio aberto durante a noite e ao domingo, dinamizar o Pátio da Inquisição e espaços envolventes, etc. Especialmente agora no Verão, com temperaturas tão elevadas durante o dia, era bom sentir esses espaços com mais vida ao final da tarde.

Melhor espetáculo que viu em Coimbra:
Um dos grandes concertos que tive oportunidade ver em Coimbra, e que exercitou os meus ouvidos a uma extensão que nunca haviam ido, foi o de John Zorn com Mike Patton e Ikue Mori no Teatro Académico de Gil vicente, em 1996 (se não me falha a memória).

Último museu que visitou:
O Museu Machado de Castro após a requalificação a que foi sujeito.

Para relaxar/estar sozinho…
Faço caminhadas longas, a maior parte das vezes longe do centro da cidade. Aproveito para ir fotografando locais, situações e detalhes.

Para me informar sobre o que acontece em Coimbra…
Recorro muito à internet, principalmente ao Facebook, subscrevo newsletters dos locais que costumo frequentar, agendas culturais, etc. Como ando muito a pé vou também estando atenta a cartazes e flyers, mas cada vez mais informo-me pela net.

Estou a responder a este inquérito…
Em casa, a pensar no que fazer para almoço e com o olho nas notícias para acompanhar os últimos desenvolvimentos da telenovela política portuguesa.

Questionário feito por Carina Fonseca

(Publicado a 22 de Agosto 2013)