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Uma vida de fantasia

BPI_1515Hatsune Miku incorporou na Ana Isabel Santos e tirou um tempinho da sua atarefada agenda como cantora virtual para falar com a Preguiça. Tal como Ana, Miku é extrovertida, simpática, reguila e um nadinha irreverente. Pois se assim não fosse, como é que a sua vida podia ser tão animada?

O que permite que esta transformação aconteça é o cosplay, que quer dizer costume play, ou traduzindo, fantasiar-se e encarnar personagens de animação. Sejam eles anime, mangá, Disney ou outros. Ana Isabel Santos, 26 anos e nascida em Coimbra, é cosplayer desde 2004 e admite precisamente que esta actividade “é poder dar vida a um personagem que escolho e gosto”.

O seu interesse por tornar realidade a ficção, foi-lhe transmitido através de uma amiga: “ela disse-me que tinha entrado numa nova comunidade amante de desenhos animados, onde se faziam os próprios fatos e se representavam os personagens que gostamos”. O clique foi imediato e “passado pouco tempo fui com ela a um evento e diverti-me imenso”. No entanto, o cosplay não é só diversão, “exige muito trabalho, muito espírito de sacrifício e muita dedicação”.

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Fazer os fatos é uma das tarefas que mais trabalho dá, mas que mais estimulam esta cosplayer. Começa-se por escolher a personagem, como não podia deixar de ser, mas de seguida há que “comprar os tecidos, os acessórios, costurar, estilizar perucas e todo um conjunto de tarefas para que tudo fique perfeito”. Daí contar com a preciosa ajuda da mãe (embora muitas vezes também com outros membros da família): “ela faz os moldes e o trabalho de base e eu gosto de finalizar”. Mas Ana vê na mãe não só uma ajudante como também “um pilar, pois é ela que tem, e me dá, força de vontade, quando muitas vezes me apetece desistir”.

Tendo incorporado já diversos personagens (mais de trinta), Ana entrou em vários concursos e eventos, ganhando alguns prémios nacionais e um internacional. Este último foi um distinto primeiro lugar, no ECG (European Cosplay Gathering) de 2011, em Paris. A sua participação foi em par, com um colega, o Leandro Martins. “À custa disso ganhei alguma notoriedade”, afirmou.

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Dividindo-se em várias tarefas e trabalhos, qual mulher dos sete ofícios, Ana não ganha o pão com o cosplay. Tirou o curso de enfermeira veterinária e cedo percebeu que era uma profissão que a deprimia: “as pessoas estavam sempre mal dispostas ou tristes, os animais sempre doentes e isso punha-me para baixo”. Ao fim de algum tempo, e mais uma vez com a ajuda da família, percebeu que queria tirar o curso de produção de eventos. E assim fez, na ETIC (Escola de Tecnologias Inovação e Criação). Em última análise, “gostava era de produzir os meus eventos, até de cosplay”. Aliás, em última análise mesmo, “gostava era de viver do cosplay”, confessa. Mas, se analisarmos mais um bocadinho, gostava mesmo “era de ter uma loja onde pudesse fazer vestidos que não se encontram em mais lado nenhum”. Ufa! É mesmo verdade que os sonhos comandam a vida.

Viver do cosplay é, porém, uma ambição difícil de concretizar para quem vive, e pretende continuar a viver, em Portugal. Noutros países, o fenómeno do cosplay já está muito desenvolvido e tem outra dimensão. No nosso país, é recente. Começou a crescer no início da década de 2000 e parece que até tem vindo a evoluir: “quando comecei a ir a convenções éramos uns vinte ou trinta, agora somos centenas”.

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Força de vontade, positivismo, amor por todo o universo que possa originar personagens a recriar, são as características essenciais, segundo Ana, para se ser uma, ou um, cosplayer. E claro, “conhecer bem o personagem e aprender a representá-lo”.

A título de curiosidade, e para que se transmita sem enganos a seriedade que o assunto merece, ficam a saber que Ana não aproveita o Carnaval. “Não gosto de fazer cosplay no Carnaval, pois está toda a gente mascarada e o significado deixa de ser o mesmo, perde-se a essência do que é ser cosplayer”. Não haja cá confusões!

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 15 de Agosto de 2013)