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Trouxas à portuguesa

BPI_1726Quando dois amigos se juntam para criar um projecto novo, isso só pode ser bom prenúncio. Eduardo Mota, arquitecto, e Paulo Vieira de Melo, economista, criaram em Abril de 2011 a Trouxa-Mocha.

O conceito da marca Trouxa-Mocha é o de recuperar e trazer “alguma da singularidade, da identidade e da imagem da cidade e do país”, diz-nos Paulo com orgulho. A concretização deste objectivo é feita através da recolha, feita por ambos, de tecidos portugueses por esse país fora: “desde tecidos antiquíssimos, com mais de cinquenta anos, a tecidos mais recentes”. Contudo, conforme nos contou Eduardo, “não abundam assim tantas lojas e feiras de tecidos, mesmo percorrendo o norte, o centro e o sul do país”. E para surpresa das surpresas “é Coimbra que se tem revelado como o melhor ponto de aquisição”. Admitindo ainda a possibilidade, mesmo que remota, de adquirirem tecidos que não sejam portugueses, a compra é sempre feita cá no país, nunca fora.

Os produtos que nascem após essa aquisição de tecidos, sempre feita por eles, voltamos a frisar, são sacolas e boinas. As sacolas são feitas numa mini unidade fabril, onde trabalha um conjunto de costureiras, depois de lhes serem dados os esquemas e moldes, também estes feitos pela dupla. As boinas, por outro lado, são feitas numa fábrica portuguesa, maior, e de referência nacional.

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Em Junho deste ano, mais precisamente no dia 8, a Trouxa-Mocha abriu a sua própria loja. “Recolhemos todos os artigos que tínhamos dispersos por vários pontos de venda e decidimos concentrar os artigos da marca num só espaço”. A localização da loja não podia ser melhor: a linda zona histórica da Sé Velha, mais precisamente a Rua do Quebra Costas. E quando perguntamos se foi estratégia por ser uma zona turística, a resposta foi clara: “estávamos e estamos aqui a trabalhar, esta é a nossa zona de conforto e foi aqui que nasceu o projecto”.

Na loja, podemos encontrar não só as sacolas e boinas, como também meias (compradas e feitas em Portugal, mas não produzidas por eles) e mantas, estas últimas um produto novo. E quem compra os produtos Trouxa-Mocha? A resposta é vasta. Para além de quererem atingir todas as pessoas, a verdade é que os turistas também compram. As mulheres italianas adoram as sacolas, os franceses as meias e os homens portugueses as boinas. Contudo, já venderam um pouco para todo o mundo.

Podemos também encontrar livros nesta loja. Os livros resultam de uma parceria com um alfarrabista, que antes tinha ali o seu armazém. E conjuga-se tudo muito bem. “Já compraram sacolas e livros e meteram logo os livros na sacola”, contaram-nos entre risos.

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As sacolas tendem a ser o mais original possível, ou seja, não existe muita repetição. “O tecido que compramos dá para 3 a 6 malas, não compramos os rolos inteiros”. Às vezes repetem-se as doses. Mas normalmente não excedem este número.

Pouco resta referir, a não ser sobre a originalidade do nome. Ao contrário do que normalmente acontece, em que nos vemos gregos para arranjar um nome para atribuir, Eduardo e Paulo tinham uma lista imensa de nomes. “O nome surgiu após um processo moroso e complexo. Tivemos de fazer o processo inverso e ir descartando hipóteses”. Quando alcançaram a meia dúzia de nomes restantes, a opção trouxa-mocha evidenciou-se automaticamente. “E ainda bem! Para além do nosso produto base ser a sacola, portanto a trouxa, a sonoridade do nome é forte, fica no ouvido”, refere Paulo. “E também como foi um projecto iniciado em cima do joelho, à trouxe-mouxe, tudo bate certo”, diz Eduardo.

O caminho a seguir neste momento, segundo estes dois amigos e sócios, é trabalhar a imagem da marca, dar-lhe um alento e também apostar num site, onde se irão poder fazer encomendas e compras.

A Trouxa-Mocha é uma marca portuguesa, com certeza!

Trouxa-Mocha
Horário: segunda a sábado das 9h00 às 20h00
Morada: Rua do Quebra Costas

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 15 de Agosto de 2013)