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Paixões proibidas

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Paixões Proibidas”, “Adore” no original, é um filme com uma grande marca feminina. Desde logo, devido à realização estar nas mãos de uma mulher, que escolheu realizar uma história escrita por outra mulher e que tem como protagonistas duas mulheres.

Anne Fontaine (O Meu Pior Pesadelo, 2011; Coco Avant Chanel, 2009) trouxe para a grande tela o romance de Dorris Lessing, “The Grandmothers”, com a ajuda de um dos mais conceituados argumentistas do mundo do cinema, Christopher Hampton. Sendo assim, e não querendo excluir os homens, a verdade é que a chamada sensibilidade feminina está bem presente: em pormenores, em maneiras de ver e sentir o mundo.

Esta não é uma história fácil. Num belíssimo cenário paradisíaco de praia, vivem duas mulheres de meia-idade e amigas desde a infância: Lil (Naomi Watts) e Roz (Robin Wright). Lil é viúva, Roz é casada, e cada uma tem um filho, que as próprias a certa altura chamam de “jovens deuses” devido à sua estrutura física. Obra do acaso, ou talvez não, cada uma destas amigas apaixona-se e envolve-se com o filho da outra, também eles grandes amigos: Ian (Xavier Samuel) e Tom (James Frechville). As duas relações são distintas, sendo uma mais próxima do amor e outra da paixão carnal.

Perante isto, é fácil imaginar que a vida dos personagens nunca mais será a mesma. Contudo, apesar de admitirem que os limites foram ultrapassados, Lil e Roz estão dispostas a continuar o seu envolvimento e a descurar outros aspectos da sua vida em detrimento deste prazer singular, tendo consciência que existirão consequências dramáticas decorrentes dos seus actos.

O empolgante e delicado argumento deste filme é portanto baseado numa relação a quatro (embora surjam outros personagens), bem diferente do que habitualmente se vê. São abordados temas tão diversos, e ao mesmo tempo tão dúbios, como o amor, o sexo, a amizade, a família, a luxúria e o prazer, numa miríade de sentimentos que nos levam a um envolvimento total com o desenrolar da acção. As protagonistas vêem-se de braço dado com questões difíceis e concretas de lidar, como sejam o envelhecimento, a diferença de idades e os sentimentos de culpa. No fim de contas, este é um polémico romance que nos desafia também a nós, a nossa mente e os nossos corações.

De forma a concretizar melhor todo este conceito, o filme é de um primor visual fabuloso, com uma produção atenta a todos os pormenores. Para além do cenário paradisíaco, onde o sol está bem presente como o elemento que aquece os corpos e as almas, os planos que exploram o rosto e os gestos dos personagens são os nossos fiéis narradores. As interpretações de Naomi Watts e Robin Wright são de uma maturidade invejável para muitas actrizes da sua geração.

Provocador e polémico para uns, belo e genial para outros, o certo é que é impossível ficar indiferente a este resultado cinematográfico.

Título: Adore
Realizador: Anne Fontaine
Actores: Naomi Watts; Robin Wright; Xavier Samuel; James Frechville
Ano: 2013

Texto de Carina Correia

(Publicado a 8 de Agosto de 2013)