• Photobucket

Home / Tendências / Coimbra a pé

Coimbra a pé

BPI_0524

Há cerca de um ano, Sara Cruz decidiu criar o próprio emprego e, ao mesmo tempo, ajudar a divulgar o património de Coimbra. Assim surgiu a Go! Walks, que propõe percursos temáticos personalizados, conduzidos por quem conhece a cidade como a palma da mão: ela.

Desengane-se quem pensa que sabe tudo sobre os locais onde passa quase todos os dias. “As pessoas acham que conhecem bem a cidade, mas perdem muita coisa. Para te surpreenderes, basta olhares para cima, para os beirais, as varandas com ferro forjado… O simples facto de Coimbra ter sido capital de Portugal é desconhecido. Um amigo meu não sabia que a cidade tinha muralha”, conta Sara.

Por valores que oscilam entre 12,50 e 40 euros por pessoa (sem contar com os descontos para grupos, estudantes e crianças até aos 12 anos), a guia, que nasceu na Rua da Sofia, andou no infantário do Portugal dos Pequenitos e estudou Turismo, Lazer e Património na Universidade de Coimbra, mostra as diferentes faces da cidade.

Do fado às lendas de amor

Além da Coimbra monumental, recentemente classificada como Património da Humanidade, é possível percorrer a cidade nocturna, com os seus bares e repúblicas estudantis, dar um mergulho no fado de Coimbra, que se faz escutar no espaço Fado ao Centro, descobrir a beira-rio e as lendas amorosas, com passagem pela Quinta das Lágrimas e, claro, descobrir os sabores da região.

BPI_2131

O percurso gastronómico, que inclui uma refeição no espaço Fangas, é o que mais seduz os turistas americanos. “Ficam fascinados, porque nunca viram ruas estreitas, becos sem saída, calçada. Não imaginam que existam pratos como chanfana, serrabulho ou tripas à moda do Porto. Mas quem fica mais admirado com os pormenores são as pessoas de Coimbra”, explica a fundadora da Go! Walks.

A classificação da Universidade, Alta e Sofia como Património Mundial, pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, não tem tido grande impacto no turismo, diz a guia. “Ainda há muito desconhecimento da parte das pessoas. Não noto que a classificação esteja suficientemente divulgada. Há muito trabalho a fazer, porque o título, só por si, não nos serve de nada”.

Sem férias nem fins-de-semana

O balanço que Sara Cruz faz do primeiro ano de actividade é positivo. Já contactou com pessoas de 40 nacionalidades. Como as visitas decorrem em ambiente intimista, criam-se laços e não lhe faltam convites para visitar outras cidades. Ela gostaria, mas não tem férias nem fins-de-semana desde que abriu a empresa. “Hoje eram 6 da manhã e estavam a ligar-me”, conta, bem disposta. Há pouco tempo, recebeu um e-mail do cliente número 1, um turista brasileiro desejoso de regressar.

BPI_0540

A ideia de montar um negócio de nicho como este adveio da sua própria experiência enquanto turista, somada à constatação de que faltava algo assim em Coimbra. “Gosto muito de percursos pedonais, principalmente com pessoas locais. Sou eu a planear as minhas férias, gosto de viajar de forma independente. Inspirei-me em conceitos como o couch surfing”.

Encontrar Sara durante a semana é simples: basta ir até à bandeira que a Go! Walks tem no Largo da Portagem às 9, 11, 14.30 ou 16.30 horas. Visitas ao fim-de-semana, ou numa língua que não a portuguesa ou a inglesa, exigem marcação prévia, por telefone (910 163 118) ou e-mail.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 8 de Agosto de 2013)