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1/1: União homem-máquina

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No Natal passado, Daniel Mendes viu-se sem dinheiro para comprar presentes, por isso, decidiu criá-los. Assim nasceu a 1/1, empresa de cadernos personalizados, feitos à mão. O nome tem um significado simples: “Sou só eu e a máquina”.

Mas recuemos ao ponto em que tudo começou. “Não tinha dinheiro para prendas. Quis dar [aos amigos e familiares] uma coisa diferente, para a qual pudesse contribuir com aquilo que sei e gosto de fazer, e que eles pudessem utilizar no dia-a-dia”, explica Daniel, de 27 anos. Resultado: os cadernos foram um êxito e todos o incentivaram a avançar com o projecto.

“Comecei a criar mais algumas capas e a investir no motor eléctrico [para a velha máquina de costura]. A primeira encomenda que tive foi do Teatro Académico de Gil Vicente. Passei cerca de uma semana a fazer 60 cadernos. Agora faço 600 numa semana, devido às alterações na máquina e à experiência que fui ganhando”, conta o designer de comunicação.

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Os cadernos estão disponíveis nos formatos A5 e A6, em tiragens únicas de 25, 30 ou 50 exemplares. O da Cabra (Torre da Universidade) desenhada por João Jesus e o de Zeca Afonso estão entre os que desapareceram mais depressa. Os compradores são, maioritariamente, mulheres jovens, dos 15 aos 40 anos.

Tocar os cadernos faz diferença

O próximo passo é abrir uma loja física, em Coimbra. Até porque as pessoas gostam de tocar os cadernos, sentir-lhes a textura, saber como são feitos. Por alguma razão Daniel vende mais em feiras do que na loja online.

A venda directa tem outra vantagem para os clientes, além de permitir sentir a textura dos cadernos: os preços descem. Os mais pequenos custam 3 euros, os maiores 5. Se a compra for feita pela Internet, esses valores passam para 4,50 euros e 6,99, respectivamente. Mas até Setembro, altura em que chegam as novidades, há saldos na loja online.

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Quem quiser encomendar cadernos à 1/1 pode contar com a ajuda de Daniel no design. Raramente se limita a encaderná-los. Mas isso aconteceu com a reedição do álbum “How music fits our silence”, da banda de Coimbra Birds are Indie, acompanhado de um caderno ilustrado. “Eles já tinham o design feito e estava excelente”.

A felicidade à frente do dinheiro

A primeira experiência de venda directa de Daniel Mendes, que não encontrava cadernos que tivesse gosto em usar diariamente, além dos de capa preta, aconteceu na Feira sem Regras, em Santa Clara. “Ia com o objectivo de vender um caderno e vendi 13. Fiquei super feliz!”.

E estar feliz é mais importante para ele do que fazer muito dinheiro. Se o projecto crescesse muito, estaria fora de questão industrializá-lo. “Prefiro ganhar menos. Não quero ficar sem o prazer de fazer os cadernos”.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 8 de Agosto de 2013)