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A loja dos suicídios

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O tema não poderia ser mais actual. A crise! A nefasta crise que arruína, que desespera, que tira o tapete dos pés. A partir desta ideia o realizador francês Patrice Leconte (Dez dias para encontrar um Melhor Amigo, 2006; A Guerra de Misses, 2008) estreia-se na animação e apresenta a comédia negra “Le Magasin des Suicides”, ou, se preferirem, “A Loja dos Suicídios”, baseada na novela homónima do escritor Jean Teulé.

O título deixa desde logo adivinhar do que se trata. Numa cidade cinzenta e triste, existe uma loja, descendente de uma longa tradição familiar, onde se vendem todo o tipo de artigos que permitem a prática do suicídio de forma garantida e sem falhas. A loja pertence ao casal Tuvache, Mishima (voz de Bernarde Alane) e Lucrèce (voz de Isabelle Spade), que tem dois filhos, Vincent (voz de Laurent Gendron) e Marilyn (voz de Isabelle Giami), e que vêem na situação que França vive, bem como o resto da Europa, a galinha dos ovos de ouro. Carrancudos, sem humor, com grandes olheiras e pálidos, esta família promete aos seus clientes “uma morte requintada”, em que “ajudá-lo a morrer é a nossa felicidade”. A oferta é variada e o candidato a suicida pode escolher desde venenos a cordas de enforcamento, revólveres e balas, espadas ou facas.

Contudo, com o nascimento do terceiro filho, Alan (voz de Kacey Mottet Klein), a vida da família Tuvache começa a mudar. O pequeno é sorridente e feliz! Por mais que lhe ensinem que a vida é demasiado cruel e que não há motivos para rir, o desenvolto Alan não se identifica com o espírito da família, muito menos com o negócio, e decide mudar o rumo das coisas e a sua alegria começa aos poucos a ser contagiante.

Este filme é uma macabra comédia, com um tom bastante negro, politicamente incorrecto e que acima de tudo tem um delicioso atrevimento. A falta de riso tão presente no argumento e no ecrã é contrariada com as leves gargalhadas que soltamos em diversas situações retratadas. O facto de ser animado, e de ser um musical, acaricia a dureza do tema mas não permite que as crianças estejam no menu de espectadores.

Sendo artisticamente cinco estrelas, “A Loja dos Suicídios” podia, no entanto, não ser tão previsível. A velha história do bem contra o mal. E o conceito é bom demais para ser banalizado. Mas contras à parte, ver este filme é uma lufada de ar fresco e a boa disposição, ironicamente, é garantida.

Título: Les Magasin des Suicides
Realizador: Patrice Leconte
Actores: Bernarde Alane, Isabelle Spade, Kacey Mottet Klein
Ano: 2012

Texto de Carina Correia

(Publicado a 1 de Agosto de 2013)