• Photobucket

Home / Tendências / O mar à beira do rio

O mar à beira do rio

BPI_4689Longe vai o tempo em que para chegar à praia mais próxima era preciso apanhar um comboio regional até à Figueira, parando inevitavelmente em todas as estações e apeadeiros até Alfarelos e afins, para depois ir a pé até à Bola Nívea e começar a ver os minutos a passar até à hora de regresso. Era assim, no século passado. Divertido, mas demorado e com muitos solavancos.

Hoje em dia a praia está mais perto, só que em vez de ser de mar é de rio. A praia fluvial das Torres do Mondego / Casal da Misarela está mesmo aqui ao lado e os 12 kms que nos separam percorrem-se facilmente quando o objectivo é passar o dia estendido na toalha ou dar um mergulho depois de um dia de trabalho. Se não houver carro, os SMTUC têm até uma linha reforçada durante o Verão e é só apanhar o 9f na Portagem ou em São José e sair no fim da linha.
Esta solução evita também o drama do estacionamento, pois num dia bom há largas centenas de carros estacionados e outras tantas toalhas estendidas no areal ou nos muitos bancos de areia próximos da zona central.

BPI_4703

E o que procuram as pessoas que vão a banhos para aqueles lados? Primeiro que tudo, imaginamos nós, a proximidade de casa. Sim, que rumar à praia de automotora durante 2 horas e a pé durante mais uma, no pino do Verão, não é para todos. De carro ou de 9, a viagem é curta e o banho refrescante está próximo.

Depois, a calmaria e a profundidade das águas. Por estranho que possa parecer, há quem não goste de altas ondas e de esbracejar sem pé no oceano e prefira caminhar até meio do rio com água pela barriga como se estivesse a atravessar calmamente a Praça da República. Com jeito até dá para levar a cerveja e a sandes de presunto.

BPI_8660

Finalmente, a natureza. Essa entidade tão preciosa para quem gosta de respirar ar puro e de sentir que o betão e o tijolo não são o nosso habitat natural, por muito que assim pareça nos tempos que correm. Fora um casario mal semeado nas encostas que amparam o Mondego, o verde ali é rei e só o azul do céu e o branco do areal contestam o seu domínio.

Como se tudo isto não chegasse, e para quem não quer carregar a geleira com o farnel, há ainda um bar com cerveja e caracóis, gelados e tostas mistas, onde num daqueles raros momentos em que o inesperado acontece pode surgir uma banda completa a tocar uma rockalhada ou um samba de verão. O Roque no Rio começou em 2011 e veio para ficar, a dar música ou cinema a quem prefere o rio ao mar numa qualquer tarde de Verão. Seja pela natureza, pela água pelo joelho ou pelos caracóis, ir à fluvial é uma diversão e uma boa escolha para um mergulho ou dois.

Texto e fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 1 de Agosto de 2013)