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Jagwar Ma: Howling

JagwarMa01Gravado em Sydney, Berlin e França, remisturado por Ewan Pearson – que trabalhou com os Chemical Brothers, The Rapture ou mesmo os M83, chega-nos este deslumbrante “Howlin” dos australianos Jagwar Ma.

Depois de saber da mão de Ewan Pearson neste primeiro trabalho dos Jagwar Ma, era espectável ouvir mais um álbum de rock a encontrar a dança. Puramente enganado.

Os Jagwar Ma são Gabriel Winterfield e Jono Ma, um duo de Sydney que depois de alguns singles de relativo sucesso nas rádios inglesas (e naturalmente australianas) edita o primeiro trabalho de longa duração. “Howlin” remete-nos rapidamente para a era da Madchester, uma fusão de Stone Roses com os New Order, psicadelismo quanto baste e batidas de dança clássicas. Dito isto, muitos interrogam-se do porquê ao destaque a um disco aparentemente banal.

“Howlin” é uma reinvenção intencional (ou não) de toda a descrição acima mencionada, no entanto tem um travo e um desequilíbrio futurista na electrónica usada pelos Jagwar Ma: é pensar num encontro de Syd Barret com os Tame Impala, linhas de baixo profundas e camadas de voz que encaixam nas batidas de dança vindas duma caixa de ritmos bem antiga.

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As canções, e segundo o próprio Winterfield, nascem num piano ou numa guitarra acústica pela sua mão. Por vezes Jono Ma apresenta loops e sequenciações que fez na noite anterior e que não quer voltar a ouvir sem mostrar primeiro a Winterfield. Deste processo criativo nasceu “Howlin”, um álbum de conversação entre as duas partes: o humano das emoções do piano (que não se ouve no disco) e a narração da electrónica (omnipresente).

Óbvio o destaque para “Come Save Me”, “Man I Need” e “The Throw” os três singles que foram sendo atirados às rádios antes da saída do disco e que servem perfeitamente para resumir aquilo que os Jagwar Ma fazem: música que nos suga desde “What Love” até ao belíssimo final de disco com “Backwards Berlin”, passando pela música grande do disco de nome “Four”, que faz da voz uma caixa de ritmos e cria um elemento de estranha beleza. É tudo estranho, mas tão familiar que não sabemos bem onde nos enfiar. É querer ouvir outra vez. “Let Her Go”.

Texto de Bruno Simões

(Publicado a 1 de Agosto de 2013)