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VAI UM BISCOITO?

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Rui Pais começou a nossa conversa alertando-nos para o facto de não querer ser rotulado à questão do empreendedorismo. Considera-se um empreendedor, foi a falta de um emprego sólido que o levou a actuar, mas incomoda-o que existam políticas que desemboquem apenas aí, desresponsabilizando o Estado da situação do país e que nos mandem desenrascar. “Não quero ser um exemplo disso”, diz com a maior das convicções.

Deitemos então esse rótulo por terra e concentremo-nos nestes biscoitos cujo formato lhes dá o nome: os Riscos. Este nome tem, no entanto, um duplo significado inicial: “o formato e o facto de estarmos a correr um risco”, confidenciou Rui entre as justas gargalhadas que este trocadilho merece.

Os Riscos nasceram à volta do fogão num dia normal daqueles em que se fazem biscoitos em casa. Rui e Sónia, cúmplice desta e doutras aventuras, em pleno processo de ter as mãos na massa, foram iluminados com a ideia de que estes simples biscoitos de limão poderiam ser algo interessante para vender. “E esta ideia acabou por ir evoluindo. Fomos pensando cada vez melhor nela e em como a poderíamos realizar. Além do mais, não havia nada no mercado com este formato, então a aposta parecia ainda mais óbvia”.

Da cozinha ao balcão passou um ano e meio. O processo desenvolveu-se em duas frentes. Por um lado, a procura de um local para produção que preenchesse todos os requisitos regulamentares exigidos. Entre fábricas, padarias e pastelarias, acabaram por encontrar o sítio perfeito: a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM), Unidade de Montemor-o-Velho e Unidade de São Silvestre. Por outro lado, a busca da imagem ideal. O rótulo foi desenhado num simples programa de computador e a embalagem escolhida é a mais linear e económica possível.

Sendo os originais os ‘Riscos estaladiços de limão’, em pouco tempo surgiram os ‘Riscos crocantes de sésamo’. Duas experiências completamente diferentes com a mesma forma (ar)riscada. E parece que novos sabores estão para surgir, mas “ainda é surpresa”.

Neste momento, os Riscos podem encontrar-se um pouco por todo o país. Tendo começado por Coimbra, a expansão foi rápida. Não os considerando um produto gourmet, os Riscos marcam presença em diversos tipos de espaços: “em espaços com personalidade, que apesar de ser um conceito abstracto, acabam por ser os espaços onde eu próprio me sinto bem. Espaços multifuncionais, onde as pessoas vão para conhecer coisas novas. Desde a loja gourmet à mercearia mais antiga”.

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Podemos ainda degustar os ‘Riscos no museu’. Fruto de um contacto prévio com o Museu Nacional de Arte Antiga e de forma a celebrar o dia nacional dos museus (18 de Maio), foi criado um rótulo novo e específico, baseado numa das obras de Arte Namban existentes no próprio museu. Desenhou-se assim um novo traço num caminho que se prevê longo e cheio de formas.

Os Riscos são comidos por todos, miúdos e graúdos. E a melhor forma de convencer as pessoas a comprar os biscoitos em forma de riscas é, além do seu preço acessível, “provar, sem dúvida nenhuma. São viciantes”.

Para quem ficou com água na boca, aceda ao site e descubra-os numa loja perto de si!

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 18 de Julho de 2013)