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Santa Cruz tem 90 anos e não pára

BPI_6672O Café Santa Cruz, em Coimbra, está em festa: celebra este ano o 90.º aniversário. E assinala a data com duas actividades simultâneas, previstas para Outubro: uma exposição intitulada “90 anos, 90 fotos” e uma tertúlia com os responsáveis de outros cafés históricos portugueses, de Norte a Sul.

“Vão ser dois momentos únicos em todo o país”, assegura o gerente do Santa Cruz, Vítor Marques, sem disfarçar o entusiasmo. Para a exposição “90 anos, 90 fotos”, tem já cerca de 40 imagens que os clientes foram buscar aos baús. Entre elas, a planta da fachada do edifício, com data de Fevereiro de 1921, e as fotografias do último casamento realizado no café, em Novembro de 1975.

Também há fotos do chefe de sala que prestou serviço ali entre 1939 e 1952, bem como de jantares de homenagem e outros eventos. A ideia é registar a vida do Santa Cruz desde a sua abertura ao público, a 8 de Maio de 1923. Para ajudar a enriquecer a exposição, qualquer pessoa pode deixar as suas fotos no Santa Cruz ou enviá-las por e-mail (geral@cafesantacruz.com). A gerência agradece.

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Já a tertúlia deverá reunir à mesma mesa cafés de cidades como Évora, Guimarães, Lisboa, Tomar, Porto, Braga ou Amarante. Sem esquecer Coimbra, com pelo menos mais dois espaços representados. “Pode ser um café histórico que tenha sofrido obras, mas contém histórias”, explica Vítor Marques.

O gerente do Santa Cruz encara aquela tertúlia como o pontapé de saída para a criação de uma rota dos cafés históricos portugueses, que espera ver declarada de interesse turístico pelo Turismo de Portugal.

Arquitectura delicia visitantes

A arquitectura do edifício faz as delícias dos visitantes, portugueses e estrangeiros. O movimento é especialmente intenso no Verão. Posar para as lentes dos turistas e falar em Inglês, Francês, Alemão ou Italiano já faz parte da rotina de trabalho de António Costa, o empregado mais antigo. Tem “26, 27 anos” de casa.

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O edifício que alberga o Café Santa Cruz foi construído de raiz, por volta de 1530, para servir como igreja paroquial. Uma vez dessacralizado, acolheu negócios e serviços tão díspares como um armazém de ferragens, uma esquadra de polícia ou um posto de correios.

Hoje, é um espaço onde se entra para beber café sabendo que é possível encontrar uma apresentação de um livro, uma exposição de pintura ou um mercado vocacionado para o artesanato contemporâneo (chama-se “Mercado do café” e realiza-se uma vez por mês, ao sábado). A ligação com a cultura é estreita.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 18 Julho 2013)