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Às voltas com Leat

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Leat estreou-se a solo com o EP, editado em Maio passado, “The Circular Expedition” (Urbisom Records). Pedro Leatro, de seu ego sem o alter, admite que a música lhe corre nas veias (veremos que nas das mãos principalmente) desde há muito tempo: “o meu interesse pela música nasceu se calhar quando era adolescente e via a MTV. Na altura, aquilo tinha muito impacto em jovens da minha idade”. No entanto, com ou sem MTV, as colecções de discos herdadas foram igualmente uma grande achega: “tinha de dar uso àquilo de alguma forma”.

Enraizado na street culture, onde o skate tem um lugar primordial e com ele o universo hip-hop, Leat foi fazendo experiências, “a pôr música em festas de aniversário de amigos ou mesmo festas azeiteiras de vizinhos”, e daí a levar as coisas mais a sério foi um passo. O caminho rapidamente se fez ao ritmo das turntables e do scratch. Começou por criar uma banda de hip-hop, os ‘Sick Score’, “onde fazia instrumentais e juntava loops de maneiras estranhas”. Após essa fase, e com o natural amadurecimento, começou a colaborar com MC Ruze, quer nas suas actuações ao vivo, quer no seu álbum “1440 Minuto a Minuto” de 2007, a fazer algumas mixtapes e a crescer como Dj. A sua perfeição no scratch valeu-lhe já alguns lugares cimeiros em competições da área.

Eis que surge então “The Circular Expedition”. A vontade de fazer um registo só seu, aproveitando o que foi acumulando ao longo do tempo, e criar umas músicas de raiz, tocou mais alto. Confessa que este EP “foi fruto da vontade de explorar a criação, mais do que estar só a fazer scratch ou um dj set”. Este é um disco onde coexistem várias sonoridades, todas diferentes umas das outras. Desde o hip-hop, ao funk, ao breakbeat, ao trip-hop, ao soul, misturando registos de scratch e outros tantos sons alter(n)ados, este EP permite-nos a sua evocação em diferentes estados de espírito.

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Grande parte do processo criativo de Leat foi feito “na garagem”, La Casa é o nome escolhido, um espaço partilhado por amigos, uns criadores, outros genuínos amantes da música. “Foi lá que me fechei algumas horas para ouvir, ‘samplar’ e fazer as primeiras experiências com a amostra de discos que escolhi, o primeiro esboço”. De seguida, concebeu o que restava e para isso, contou com várias ajudas: “todas fundamentais e quero agradecer a todos”.

De entre os oito temas (mais um bónus) do EP, a faixa “Seems Real” tem direito a um vídeo. Leat diz-nos que apesar de não ter contribuído para a materialização do vídeo, esta foi “uma das experiências mais fixes que tive na vida”. Várias foram as pessoas envolvidas e que se dedicaram de corpo e alma, resultando num trabalho cheio de talento. A todos os que participaram “quero também agradecer muito”.

O nome “The Circular Expedition” relaciona-se, segundo Leat nos explicou, com as voltas que nós damos (muitas vezes sem ir a lado nenhum) e as voltas de um disco ou dos loops das músicas que ouvimos. “Anda-se sempre às voltas”.

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Este é um disco virtual, quer na sua gratuita distribuição, quer na forma de divulgação. Para já foi o formato possível pois “não havia dinheiro para fazer o formato físico”, embora a ideia não esteja posta na mala. Contudo, em casa, podemos criar o nosso cd. O EP é acompanhado de um excelente art work, onde existe a capa com instruções e a bolacha do cd, para nós próprios realizarmos a tarefa.

O feedback tem sido “maior do que eu estava à espera”, diz Leat. “Não há grandes expectativas em relação a quem possa ouvir ou onde possa chegar”.
No entanto, saber que na verdade há quem realmente goste da nossa música, parece-nos bem compensador.

Texto de Carina Correia
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 4 de Julho 2013)