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COLD WAR KIDS: DEAR MISS LONELYHEARTS

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Após um início de carreira genial com o disco “Robbersand Cowards” em 2006, os norte-americanos Cold War Kids (mudando de sonoridade e registo) fizeram depois dois álbuns medíocres – “Loyalty to Loyalty” em 2008 e “Mine is Yours” em 2010. Seria por isso previsível que em 2013 voltassem às suas raízes. Felizmente, querem-nos mostrar o porquê de serem uma banda esquizofrénica, capaz do melhor e do pior.

“Dear Miss Lonelyhearts” é um álbum conceptual (baseado no romance de 1933 “Miss Lonelyhearts” de Nathanael West), levando a banda a uma construção coesa de um álbum de pop/rock dramático e intenso, resgatando David Bowie ou os New Order como ajuda suplementar. Não é um álbum fácil, bem pelo contrário. Por vezes a sua simplicidade é de uma complexidade que quase nos faz desistir.

A faixa de abertura (escolhida como single de apresentação) “Miracle Mile” ajuda a definir o cenário para o resto do álbum: secção rítmica bem presente, guitarras encorpadas e a voz de Nathan Willett no seu melhor. “Lost That Easy” e “Loner Phase” são duas canções que vão buscar os New Order acima mencionados. São as canções mais trabalhadas do álbum, preenchidas com alguma electrónica e guitarras quanto baste.

À quarta música encontramos os Cold War Kids despidos, quase a tocar na palavra “jazz”. “Fear & Trembling” é um delicioso sabor da estreia da banda, guitarras sujas a encontrarem a tal esquizofrenia, que se prolonga por “Tuxedos” com um fender rhodes negro a elevar o conceito de canção para o seu devido lugar. Mas o momento grande do disco chega com “Water &Power”. A simplicidade da música e a linguagem da beleza traduzidos num piano e numa percussão e baixo gigantes que amarrotam a voz de Nathan Willett:

Mean what you say, make your mistakesHead of silver and gold, your feet crumbling clay Forever be yours, counting the hoursThe salt in the mines and the water is ours The water is ours, the water is ours, the reservoir

O disco termina com a faixa homónima “Dear Miss Lonelyhearts” e “Bitter Poem”. Esta última mais um monumento à tal simplicidade da música, a crueldade da vida traduzida numa voz de sofrimento e num final de disco arrepiante.

“Dear Miss Lonelyhearts” é um disco certeiro de boas canções pop. Os Cold War Kids são o ouro e a lata misturados num produto que não se consegue perceber muito bem. Nem é para perceber. Quando uma banda faz um disco com esta alma, o melhor é pensar que também nós somos esquizofrénicos.


Texto de Bruno Simões

(Publicado a 4 de Julho)