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Uma conversa no chat pode ser poesia

BPI_0051“Dois poemas de amor, um ou outro de dimensão política, uns quantos quase psicanalíticos, no sentido pessoano de análise do eu, e uns sensoriais, misto de Álvaro de Campos e rock psicadélico”. Eis o que se pode encontrar em “Vã guarda – Autobiografia não autorizada”, de Miguel Barreto. Quem o garante é o autor, nascido em Coimbra há 32 anos.

Miguel Barreto é doutorado em Relações Internacionais pela Universidade de Coimbra, locutor da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) e membro do blogue e projecto artístico Isabelle Chase Otelo Saraiva de Carvalho. “Vã guarda – Autobiografia não autorizada”, editada em Novembro, marca a sua estreia no campo literário. Os poemas foram escritos ao longo da última década.

Barreto escreve esporadicamente. Desde há longo tempo, mas esporadicamente. “Uns dez poemas por ano”. Pode estar a viajar de carro. Ou a conversar no chat do Facebook. Acontece-lhe ver surgir uma frase que lhe parece um verso. Assim nasceu, por exemplo, “A tese está pronta”.

Escrevi os primeiros poemas para aí com 13 anos. Eram muito maus. Não quer dizer que estes não sejam

Alguns dos poemas agora em livro já foram musicados para Isabelle Chase Otelo Saraiva de Carvalho. É o caso de “Andar de baloiço ou o c*****o”. “Por vezes” foi criado a meias com Ricardo Jerónimo, em guardanapos de papel, à mesa de “um café muito mau, na Figueira da Foz”. Enquanto “Menos fado” foi escrito para o 12 de Março.

O autor de “Vã guarda – Autobiografia não autorizada” diz-se influenciado por diferentes correntes literárias, com ênfase no dadaísmo e no surrealismo. O gosto pelos jogos de palavras é visível, desde logo, no título da obra, que tanto remete para os movimentos modernistas, muito do seu agrado, como para as esperas em vão, “a parte mais sombria dos poemas”.

O livro “não é para ser levado muito a sério”, avisa Miguel Barreto, que dá aulas de Relações Internacionais na Universidade de Bogotá Jorge Tadeo Lozano, na Colômbia, desde Setembro.

“Escrevi os primeiros poemas para aí com 13 anos. Eram muito maus. Não quer dizer que estes não sejam”, graceja. “Espero que [as pessoas que lerem o livro] se riam e se tornem minhas groupies”.

Texto de Carina Fonseca
Fotografia de Bruno Pires

(Publicado a 27 Junho 2013)