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Os nossos filhos

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No próximo dia 1 de Julho, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) apresentará na sua rubrica habitual ‘Cinema às segundas’ o filme “Os nossos filhos”, no original “À perdre la raison”.

Baseado em factos reais, o realizador Joachim Lafosse conta-nos a história de Murielle (interpretada por Émile Dequenne) e Mounir (interpretado por Tahar Rahim), dois jovens apaixonados que decidem casar e ter filhos e rapidamente passam de um conto de fadas para um conto de horror. No centro deste drama está também Dr. André Pinget (interpretado por Niels Arestrup), homem que cuida de Mounir desde que este é criança.

Começando a narrativa pelo fim, cedo nos apercebemos do desfecho do filme, embora ignorando de que forma, o que nos leva a uma enorme envolvência com a trama e com os personagens. O filme desenrola-se na Bélgica e segue a história de Murielle, professora primária e Munir, um marroquino que ainda não tem a sua vida definida. Após casarem decidem viver com o médico André Pinget, que passa a ter uma enorme influência na vida do casal. Apesar das suas acções parecerem altruístas, consegue facilmente perceber-se como na verdade são opressivas e dominadoras. E não é só o espectador que percebe, Murielle também.

A vida do casal começa a degradar-se e a perder o brilho que antes a envolvia. Murielle está inserida numa estrutura rígida, que não lhe facilita a vida, muito pelo contrário. Sente-se cansada, sozinha, emocionalmente desequilibrada, psicologicamente afectada e nem a ajuda médica parece resultar. Os rostos felizes do casal vão-se transformando aos poucos em fisionomias carregadas e a queda para o abismo é bem íngreme, até perder a razão.

Émile Duquenne é excepcional. O seu desempenho é uma das grandes forças do filme, capaz de desenvolver com enorme mestria as transformações do personagem que ao mesmo tempo tem plena consciência dessas mesmas transformações.

O filme ganhou vários prémios, estando entre eles o prémio Un Certain Regard do Festival de Cannes para melhor actriz e o prémio da crítica Menção Honrosa do Festival de São Paulo.

Joachim Lafosse apresenta-nos uma obra que explora não só a decadência de um casal, como também a decadência do ser humano. É um filme emocionalmente duro e intenso, que nos apresenta, e alerta de alguma forma, um possível caminho para a loucura.

Título: À perdre la raison
Realizador: Joachim Lafosse
Actores: Niels Arestrup, Émile Dequenne, Tahar Rahim
Ano: 2012

Texto de Carina Correia

(Publicado a 27 Junho 2013)