• Photobucket

Home / Uncategorized / Carlos Fiolhais no Largo da Portagem

Carlos Fiolhais no Largo da Portagem

1048871_10201593828351661_602834286_oTem uma agenda preenchida, mas arranjou forma de se encontrar connosco no Largo da Portagem. Carlos Fiolhais é professor catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, investigador, divulgador científico e blogger (“De Rerum Natura” já tem mais de seis anos). Na cidade, irrita-o a “doutorice”. E apaixona-o a Biblioteca Joanina. Está a preparar um livro ilustrado sobre ela, em parceria com o colega Paulo Mendes, chamado “Casa da Livraria”. Acredita que o Pátio da Física e Química, com vista para o Mondego, merecia uma esplanada. Enquanto ela não surge, divide-se entre a do bar do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e a do restaurante Loggia, no Museu Nacional Machado de Castro.

Gosto de Coimbra porque…
Conjuga história e modernidade, natureza e cultura, litoral e interior, planície e montanha, calma e bulício.

Figura mais emblemática da cidade:
Podia ter sido Camões, mas não há a certeza se aqui nasceu ou sequer estudou. Mas gosto de pensar que Coimbra é ciência. O estudante de Coimbra  mais famoso no mundo foi o alemão Clavius, o maior astrónomo entre Copérnico e Galileu e o criador do calendário gregoriano que ainda hoje usamos. Quanto ao professor de Coimbra mais famoso, foi Pedro Nunes. E há, mais perto de nós, o Egas Moniz. Nenhum deles nasceu em Coimbra. Não falo dos vivos, claro.

Em Coimbra, irrita-me…
O que me irrita noutros lados, como a desorganização e a sujidade. E o que me irrita só aqui, como a pretensão. E a formalidade, isto é, a doutorice.

Sítio preferido:
A Biblioteca Joanina, sobre a qual preparei um livro que está para sair. Mas, mais moderna, também se está muito bem noutra biblioteca, o Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade, um centro de recursos sobre ciência que estou a ajudar a crescer no rés do chão da Física.

Melhor esplanada:
Entre a do Bar do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e a do Loggia do Museu Machado de Castro, o meu coração balança.

Melhor sítio para comer:
A Taberna, na Rua dos Combatentes. É boa comida com tratamento personalizado. Mas há também a Dona Especiaria, perto da Sé Velha. Ah, não me posso esquecer de um clássico: Quinta das Lágrimas, quer do Arcada quer do Aqua, que até prefiro agora para o Verão.

Melhor sítio para beber copos:
Não sou muito de copos. Mas já fui ao Bar do Quebra Costas.

O que faz no dia do cortejo da Queima das Fitas?
Saio de Coimbra. Ou fico em casa, isolado. É demasiada entropia. E vista a Queima uma vez, estão vistas todas, há pouca inovação.

Onde costuma estacionar quando vai à Baixa? Dá moeda ao arrumador?
Debaixo do “Bota Abaixo”, apesar de ser caro (a Via Verde dá jeito). Por vezes dou moeda aos arrumadores, sim, quando eles me ajudam a resolver o problema de estacionar, mas não quando é fácil.

Onde é que não leva um amigo de visita à cidade?
Ao Largo do Arnado, ocupado por uma torre negra que é uma mancha negra na Baixa.

Se pudesse demolir alguma coisa em Coimbra, o que seria?
As Torres do Mondego, que estragam o belo postal ilustrado que é o casario da cidade. Mas porque é que aquelas torres não são deitadas abaixo? E os responsáveis já foram julgados?

Um espaço desaproveitado:
O Pátio da Física e Química, na Alta. Ainda há pouco foi limpo. Mas podia ter uma bela esplanada com vista para o rio e, por enquanto, não tem. E água nos lagos e flores nos canteiros e…

Melhor concerto/exposição que viu em Coimbra:
Eu vi – e ouvi! – a Teresa Berganza no TAGV em Coimbra. E, quanto a exposições, desculpem-me a imodéstia, mas a que organizei na Biblioteca Joanina, sobre “Membros Portugueses da Royal Society” (para quem não viu há um livro), que abriu pela primeira vez todo o edifício da Joanina ao público.

Último museu que visitou:
Tenho ido várias vezes com visitantes ao renovado Machado de Castro. Com todo o gosto, deles e meu.

Para relaxar/estar sozinho…
Fico em casa, no meio da minha biblioteca, é um sítio tranquilíssimo.

Para me informar sobre o que acontece em Coimbra…
Assino “As Beiras”, recebo a revista “C” e leio on-line o “Campeão das Províncias”, um grande título (só comparável na extravagância ao “Anão dos Periódicos”). Talvez seja culpa nossa, mas a imprensa nacional quase ignora Coimbra.

Estou a responder a este inquérito…
Em casa. E não estou a fazer mais nada. Não é preguiça: até consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, mas não quando uma é responder a inquéritos.

Questionário feito por Carina Fonseca

(Publicado a 27 Junho 2013)