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Timor-Leste: Sons da Alma e da Montanha (PT1)

Para escrever sobre a música que se faz em Timor-Leste é de vital importância lembrar os quase 500 anos de governação/presença portuguesa e os seguintes 24 anos de ocupação indonésia. Falo de um dos países mais jovens do mundo que celebrou 11 anos de independência a 20 de Maio.

País com 350km entre a costa este e a fronteira com a indonésia e pouco mais de 60km entre o norte e o sul, é um país dividido em 13 distritos, todos eles com marcas culturais bem diferenciadas.

Tocando na música, percebo que existe uma paridade muito própria. Ao mesmo tempo procura-se uma nova identidade, existem uma serie de novos músicos, novas gerações que querem o afastamento das influências que os portugueses e os indonésios deixaram, buscam-se novas formas de transportar o sagrado tradicional e o espirito de resistência para novas linguagens.

OSME GONSALVES

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De LosPalos, Osme Gonsalves, 38 anos, aprendeu a contar histórias através da música a partir do seu falecido pai. Artista visual, actor e respeitado músico da comunidade de língua Fataluku (distrito de Lautém), Osme baseia-se nas suas experiências de criança da guerra, uma vítima da ocupação indonésia.

Como muitos timorenses, Osme Gonsalves foi um ex-guerrilheiro durante este período, membro activo do movimento clandestino, acusado de passar informações para a Frente Revolucionária de Timor Leste Independente. Na iminência da independência e a partir de uma casa queimada em LosPalos, fundou os Galaxy, uma banda que se ergue do trauma e do caos da luta pela independência, tornando-se uma das bandas mais respeitadas de Timor-Leste.

Com uma das vozes mais distintas em Timor, Osme Gonsalves usa contos ancestrais com estórias da história de Timor-Leste, desde a colonização à invasão. Membro dos Dili Allstars – banda que reúne músicos australianos e timorenses, um dos seus mais recentes projectos, Orquestra Ordem Pública, é uma fusão de oito músicos timorenses que juntos misturam os ritmos tradicionais do povo Fataluku para um novo contexto universal, onde se encontram o folk com os blues, o acústico e o eléctrico, a alma e a montanha.

Texto de Bruno Simões

(Publicado a 27 Junho 2013)